FÉ FALACIOSA
Corrigindo concepções errôneas comuns a todos
Por
James Patrick Holding.
É hora de um pequeno quiz, pessoal. J Vamos
oferecer quatro exemplos para pormos em foco:
1. Um
“curandeiro de fé” chamado Benny Pophagin se oferece para curar Joe de seu
lumbago. Benny impõe as mãos em Joe e ora, mas o lumbago permanece. Benny
despede Joe dizendo, “Esse é seu problema. Você não tem fé o bastante.”
2. Um
cristão enfrenta muitas objeções à suas crenças que ele não pode responder. Ele
diz, “Eu não me importo com o as pessoas dizem, eu ainda tenho fé.”
3. O
filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard “afirma que as escrituras inclusas na
Bíblia comprovam que o sistema de crença cristão é baseado em um salto de fé,
não em provas tangíveis.” Isto porque o Cristianismo envolve paradoxos
ofensivos à razão.
4. O
famoso cético Mark Twain disse, “Fé é acreditar no que você sabe que não
é.”
Alguém pode adivinhar o que há de errado com
esse quadro? A resposta é que todos os quatro exemplos oferecem uma definição
ou entendimento incorreto do que se trata a fé
Bíblica. A definição própria de Twain incorpora (com algo de negativo, polêmico)
o modo como a “fé” é entendida de longe por muitos hoje – mas não bate com a definição Bíblica da palavra, e como os
dois primeiros exemplos sugerem, o conceito de “fé” é um conceito muito
mal-entendido por boa parte da igreja. Nosso terceiro e mais novo exemplo,
trazido em um fórum de discussão recente por um budista com um entendimento e
um interesse um tanto quanto limitados acerca do Cristianismo, mostra como pelo
menos um filósofo, ainda que se deva algum crédito, por causa da sua falta de
entendimento, veio a uma falsa conclusão sobre o que fé era. Observaremos isto
em mais detalhes abaixo (e supomos que a representação da posição de Kierkegaard
está correta).
Nossas
fontes principais para esse ensaio são três trabalhos que viemos a considerar
extremamente úteis: The New Testament
World, de Malina; Portraits of Paul: An
Archaeology of Ancient Personality [87, 167], de Malina e Neyrey, e Honor, Patronage,
Kinship and Purity [95ff], de deSilva. Esses livros nos oferecem um
vislumbre do mundo antigo dos primeiros cristãos e um entendimento de que sua
“fé” era entendida como algo mais que
uma questão de acreditar ao revés, como nossos exemplos sugerem.
Ultimamente temos visto a mesma informação posta em Reconceptualising Conversion, de Zeba Crook, em mais detalhes, mas
não acrescenta nada novo ao que é crucial à nossa apresentação.
A palavra
grega por detrás de “fé” no NT é pistis.
Como um nome, pistis é uma palavra
que era usada como um termo retórico técnico para prova forense. Exemplos desse uso são vistos nos trabalhos de
Aristóteles e Quintiliano, e no NT em Atos 17:31:
Porquanto
estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão
que destinou e acreditou (NT: isto
é, deu crédito, certeza) diante de
todos, ressuscitando-o dentre os mortos (NT: a versão utilizada na tradução
deste artigo é a Almeida Revista e Atualizada).
Se você está acostumado a pensar em “fé” nos
termos dos nossos dois primeiros exemplos, isso vai seguramente ser uma
surpresa. A ressurreição de Cristo é tida aqui como uma prova de que Deus julgará o mundo. Contudo, se pensarmos na
pregação missionária do livro de Atos, isso faz sentido perfeitamente e nos
ensina certa lição. Aqui há mais alimento pra pensar: há algum lugar no NT
aonde podemos encontrar alguém dando seu “testemunho pessoal”? A resposta é sim
– mas está em Fil. 3, onde Paulo dá seu testemunho pessoal sobre sua vida
anterior, quando escreveu para
companheiros cristãos. Ele não o
utiliza em uma colocação missionária para descrentes.
Deveras,
pode-se achar em lugar algum no NT um exemplo de missionários, ou qualquer um,
dando seu testemunho pessoal. Isto por uma boa razão. Os antigos concebiam a
personalidade como estática; o jeito que você nasce é o jeito que permanece.
Mudança pessoal não era um foco, porque se pensava ser impossível. Por isso a
igreja permaneceu desconfiada de Paulo até mesmo depois de sua conversão, e até
que Barnabé (que provavelmente o conhecia anteriormente) testemunhasse em seu
favor.
Mas note
bem: o que vem a seguir não é tipo de
coisa que alguém vá encontrar no NT:
Atos 2:48-52 E Pedro levantou-se
e disse: Homens e irmãos, eu testifico para vocês desde já que anteriormente eu
fumava folhas de mostarda, bebia vinho, praguejava diariamente e, além do mais,
cheirava como um peixe. Quando o Senhor Jesus entrou no meu coração eu fiquei
limpo. Agora eu não fumo mais, nem bebo mais, meu linguajar não é mais obsceno,
e eu tomo banho diariamente. Deus seja louvado!
Pelo
contrário! Aqui está o que encontramos
na pregação missionária do NT:
Atos 2:22-36 Varões israelitas,
atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de
vós, com milagres, prodígios e sinais,
os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmo
sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus,
vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da
morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela. Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mim
via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado.
Por isso se alegrou o meu coração e a minha língua exultou; além disto a minha
própria carne repousará em esperança, porque não deixarás a minha alma na
morte, nem permitirás que teu Santo veja corrupção. Fizeste-me conhecer os
caminhos da vida, encher-me-ás de alegria na tua presença. Irmãos, seja-me
permitido dizer-vos claramente, a respeito, do patriarca Davi, que ele morreu e
foi sepultado e o seu túmulo permanece entre nós até hoje. Sendo, pois,
profeta, e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se
assentaria no seu trono; prevendo isto,
referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o
seu corpo experimentou corrupção. A este
Jesus Deus ressuscitou, do qual todos nós somos testemunhas. Exaltado,
pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo,
derramou isto que vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo
declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu
ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que este
Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
O apelo
primário de Pedro aqui é dividido em três partes: ele apelou para a evidência dos milagres e sinais
realizados por Jesus; ele apela para a tumba
vazia, e ele apela para o cumprimento
da profecia do AT. Em suma, seus apelos foram comprobatórios. Alguém, é claro, poderia desejar contestar a
validade da evidência, mas no contexto isso não vem ao caso. O caso é que Pedro
fundamenta a crença no Cristianismo na evidência
– ou, como a definição de pistis em
Atos 17:31 poria, provas.
Agora,
antes de você reler várias passagens sobre “fé” nessa luz, tenha em mente duas
coisas. Primeiro, isto não necessariamente quer dizer que deva se abandonar os testemunhos
pessoais como forma de testemunho. Vidas mudadas podem ser, e freqüentemente
são, utilizadas como provas da fé Cristã, e em nossa sociedade individualista
que tem perdido um senso de história (ao ponto de muitas pessoas não poderem
nem dizer o nome do nosso Vice-Presidente), tal apelo pode na verdade ser
melhor em alguns contextos do que uma defesa da tumba vazia.
Segundo,
note que em muitos poucos casos essa forma de pistis, como significado de prova, é vista. O significado nos dá
uma pista para a natureza de outros significados. É freqüentemente usado como
um nome para referir-se à “fé” Cristã como um conjunto de convicções. Em muitos
mais casos o significado pretendido era no sentido de fidelidade, ou lealdade como
devida a alguém ao qual uma pessoa serve (neste caso, o corpo de Cristo). Isto
agora leva a uma expansão do conceito de pistis
feita por deSilva. Como deSilva mostra, o relacionamento entre o crente e Deus
está nos moldes de um antigo relacionamento cliente-patrono.
Como “clientes” de Deus aos quais ele mostrou favor imerecido (graça), nossa
resposta deveria ser, como Malina e Neyrey concebem, uma “atenção constante” no
tocante a deveres prescrevidos em relação a quem estamos em débito (Deus) e ao
grupo do qual participamos (o grupo da família de Deus, o corpo de Cristo).
Essa “atenção constante” é a expressão de nossa fidelidade e lealdade – em
outras palavras, essa é nossa pistis,
ou fé. Fé não é um sentimento, mas nosso compromisso de confiar, e sermos
servos confiáveis para nosso patrono (Deus), que nos proveu com dádivas
tangíveis (Cristo) e nos prova, por meio disso, sua própria confiabilidade.
Nós agora
atualizamos esse ensaio com algumas considerações adicionais, com referência
específica à idéia moderna de um “relacionamento pessoal com Jesus”, que é o
elemento principal do evangelismo moderno. Dada a informação acima, a descrição
atual que se encaixa em uma fé autêntica não é a de um relacionamento pessoal, mas um relacionamento patronal. Sentimentos modernos que
chamam Jesus de nosso “amigo” e supõem que nós devamos falar com Deus como com
nosso melhor amigo são, neste contexto, claramente mal colocados. Josh
MacArthur uma vez lamentou pela história de alguém que disse que falava com
Jesus toda manhã enquanto se barbeava. Ele perguntou a essa pessoa, “você
continua se barbeando?” A casualidade com que nos aproximamos num
relacionamento com o Todo-Poderoso é decididamente distante do que os antigos teriam concebido; deveras,
o cliente raramente falava ou via o patrono (aqui, o Pai) e tinha contato
limitado mesmo com o intermediário (aqui, Jesus); assim, a admoestação de Jesus
para que se fizessem petições a ele dificilmente significaria um apelo
constante de encontro para cada necessidade possível que desejarmos!
Adicionando,
o paradigma do “relacionamento pessoal” é abalado ao sabermos que,
“relacionamento pessoal” como conhecemos é um fenômeno moderno. Malina nota em The New Testament World [66] que em uma cultura coletivista, as
pessoas “não conheciam umas às outras muito bem do modo que conhecemos as
pessoas, isto é, psicologicamente, individualmente, intimamente e
pessoalmente.” As pessoas não eram consideradas “mundos psicologicamente
únicos” uns para com os outros; idiossincrasias pessoais obviamente existiam,
mas não eram consideradas importantes nem interessantes. (pessoas modernas,
Malina nota, pensariam que tais pessoas eram rígidas ou altamente controladas,
ou temerosas de outros, os quais antecipam a intolerância e o equívoco daqueles
céticos que i.e., dizem que Paulo é uma personalidade obsessiva, ou que eles e
outros agiram de uma forma altamente controladora) Conseqüentemente para nós
aqui o “relacionamento pessoal com Jesus” é um produto anacrônico de nossos
próprios tempos, refazendo Deus e Jesus à nossa própria imagem.
Com isso em mente, faremos agora
um estudo de exemplos específicos de “fé” no NT, e como eles são mal entendidos
– e encerraremos com uma revisita aos nossos três exemplos acima.
Como uma
forma de pistis usada em torno de 240
vezes no NT, não será possível examinar todos os casos dela. Mas é suficiente
iluminar alguns dos exemplos mais óbvios.
Mateus 8:5-10 Tendo Jesus entrado
em Cafarnaum, apresentou-se-lhe um centurião, implorando: Senhor, o meu criado
jaz em casa, paralítico, sofrendo horrivelmente. Jesus lhe disse: Eu irei
curá-lo. Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em
minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Pois
também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens, e
digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze
isto, e ele o faz. Ouvindo isto, admirou-se Jesus, e disse aos que o seguiam:
Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta.
Vemos a
definição de “fé” em termos de lealdade a, em confiar em um patrono merecedor
exibida muito claramente aqui. O centurião sabia das habilidades miraculosas de
Jesus (v.8). Sua fé não era “cega”, mas baseada na evidência de trabalhos
passados de Jesus. Ele considerou Jesus digno, portanto, de sua confiança e veio a ele buscando ajuda.
Esse
também é o tipo de “fé” exibido por outras pessoas que vêm, ou são trazidas a
Jesus pela cura. O homem paralítico, a mulher com o fluxo de sangue, Jairo, os
homens cegos (Mat. 9), a mulher siro-fenícia (Mat. 15) – todos vieram sabendo
das habilidades de Jesus de curar. Suas ações foram baseadas em evidências e provas. É claro que alguém
possa querer argumentar que suas confianças foram mal colocadas e que Jesus era
um charlatão, mas dentro do contexto isso não vem ao caso. Nosso caso é que
essa fé não é “fé cega”.
Mateus 17:19-20 Então os
discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo
não pudemos nós expulsá-lo? E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da
vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de
mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos
será impossível.
Esta
passagem é uma das passagens campeãs em causar confusão usadas por charlatães
como nosso Benny Pophagin. Não foi curado?
Precisa
de mais fé!
Mas
entenda aqui “fé” como lealdade e
“descrença” como desobediência. Então
qual é a implicação? Mateus 17:21 (“Mas esta casta não se expele senão por meio
de oração e jejum”) está ausente os melhores manuscritos de Mateus. O paralelo,
Marcos 9:29, mostra dados textuais que implicam que somente “oração” era parte
do original. (veja aqui, em inglês).
Ande
está a desobediência e deslealdade dos discípulos? Está na falta de oração, e
uma falsa percepção de que o dom do exorcismo era algo inerente neles ao invés
de ser transmitido, por meio deles, por Deus. (Note que o exorcismo é precedido
por uma nota em que os escribas estavam questionando os discípulos [Marcos
9:14-16] – muito provavelmente desafiando-os a realizar um exorcismo.
Encontramos uma lição paralela em Lucas 10:17-20: “Então regressaram os
setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos
submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via a Satanás caindo do céu como
um relâmpago. Eis que vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões,
e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano. Não
obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e, sim, porque
os vosso nomes estão arrolados nos céus.” Este é uma advertência tenaz contra o
orgulho e o foco em si, e a perda da concentração no poder real atrás da
capacidade de exorcizar demônios.
Uma lição similar pode ser tirada de Mateus
21, aonde Jesus declara, “Jesus, porém, lhes respondeu: Em verdade vos digo
que, se tiverdes fé e não duvidardes, não somente fareis o que foi feito à
figueira, mas até mesmo a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, tal
sucederá; e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis.” Isto precisa
ser combinado com os nossos comentários anteriores: Judeu algum reconheceria
tal declaração como que concedendo aos crentes carte blanche para pedir que montanhas se movessem (veja mais aqui, em inglês). Isto é
simplesmente um jeito de enfatizar o comprometimento de Deus, como patrono, de
abençoar e mostrar favor ao crente – do qual seria esperado que não pedisse
coisas tolas ou egoístas em primeiro lugar, não mais do que qualquer cliente no
mundo romano, que não seria tolo o bastante para pedir ao seu patrono um milhão
de dinda para torrar em vídeo games. Uma pessoa com pistis não pede conscientemente pelo que Deus não faça ou queira, e
não pede para que algo aconteça se for contra a vontade de Deus. No pensamento
judaico, Deus era soberano. Nada acontecia sem que Deus permitisse ou causasse.
“O ensino judaico antigo celebrava a benevolência de Deus em responder orações,
mas raramente prometia respostas universais para orações de todo o povo de Deus
como o idioma sugere.” [Keener, 245] Somente um pequeno número de sábios era
considerado devoto o suficiente para
pedir e receber o que quisessem – e que sua devoção era o que indicava que eles
não sairiam por aí pedindo qualquer coisa
que quisessem (como Hanina ben Dosa, e Honi, o Desenhista de Círculos), mas
somente o que supunham estar na vontade de Deus. “Tal chamado para acreditar na
oração supõe um coração devoto submisso à vontade de Deus...”
Limitações
sobre o que podemos receber são
claramente mostradas pelo contexto. A Oração do Senhor nos instrui a orar pelas
necessidades diárias (Mat. 6:11) – não diz, “Dá-nos hoje um Rolls Royce.” Crianças
mundanas pedem pães ou peixes (7:9-10), “elementos básicos do cardápio
palestino” os quais era dados às crianças regularmente. Podemos pedir por “boas
coisas” (7:11), um termo que à vezes refere-se à prosperidade geralmente, mas
também “refere-se à produção agrícola que os justos dividiriam com os outros
(Test. Iss. 3:7-8). Nem o contexto romano “cliente-patrono” ou o judaico
entenderiam o termo “mover montanhas” como uma permissão literal para requerer
qualquer coisa que nosso egoísmo desejasse – ou esperar que algo contrário à
vontade e ao desejo do patrono fosse-nos dado .
Marcos
4:39-40 E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Acalma-te,
emudece! O vento se aquietou e fez-se grande bonança. Então lhes disse: Por que
sois assim tímidos? Como é que não tendes fé?
Agora
deve ser fácil ver que Jesus repreende os discípulos pela falta de confiança e
lealdade, as quais neste tempo ele deveria ter merecidamente adquirido deles, já tendo demonstrado seus poderes
miraculosos e sua sabedoria.
Marcos 6:5-6
Não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos,
impondo-lhes as mãos. Admirou-se da incredulidade deles. Contudo, percorria as
aldeias circunvizinhas, a ensinar.
Temos
visto um monte de céticos citarem este verso ultimamente, dizendo que ele
indica que Jesus era um charlatão que (como nosso “curandeiro” moderno Benny)
precisava de que pessoas tivessem “fé” e se desculpava dizendo que não curava
doenças reais por causa da falta desta. A palavra “descrença” aqui é apistia, que quer dizer falta de pistis. Na luz de nosso melhor
entendimento de pistis, o problema
não é de fato com Jesus, mas na falta de lealdade e confiança por aqueles que
rejeitaram Jesus. Como o cliente ingrato no relacionamento cliente-patrono, o
povo rejeitou Jesus como patrono a
despeito de seus atos de graça, desonrando-o, portanto (Note como isso
afeta o significado de Marcos 6:4: “Não há profeta sem honra senão na sua terra, entre seus parentes, e na sua casa”).
Rejeitar um ato de graça era equivalente à desonra. Jesus não poderia curar
essas pessoas não por causa da falta de poder, mas por causa da ingratidão e da
rejeição de seu gracioso patronato! Um patrono rejeitado não poderia e nunca forçaria seus dons graciosos sobre um
cliente que não os quisesse!
Finalmente
daremos uma olhada no mais freqüente uso abusivo de pistis feito pelos céticos que preferem a definição de Twain:
Hebreus 11:1
Ora, a fé é certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que não se
vêem.
“Aí, vejam! Convicção de
fatos que não se vêem. Fé cega. Caso encerrado.” Tenta outra! A lista que segue
oferece exemplos de pessoas a quem foram dadas provas inegáveis da existência de Deus e de seu poder. Pistis aqui é a respeito da confiança em
um Deus que demonstrou sua capacidade de ser um patrono digno, e os exemplos
são aqueles dos clientes que, conhecendo essa capacidade, confiaram na recordação de Deus como um patrono provedor. Hebreus
11:1, portanto, está nos dizendo que fé
(confiança em nosso patrono, adquirida pela convicção baseada na evidência) é a
certeza (a palavra aqui significa uma
garantia, uma colocação, uma essência concreta ou uma garantia abstrata) de
cousas que se esperam (essas palavras
querem dizer, esperadas por causa da
confiança, que é algo adquirido!), a convicção de fatos que não se vêem, os
quais no contexto significam que esperamos, baseados em experiências passadas, favor contínuo de nosso patrono, que já
provou ser digno de nossa confiança pelo exemplo, e essa confiança é nossa
segurança no cumprimento de futuras promessas. Fé cega? Não mesmo! É fé baseada
na realidade.
Com
essas informações em mente, vamos olhar de novo nossos quatro exemplos do
começo e ver aonde erraram.
1.
Um
“curandeiro de fé” chamado Benny Pophagin se oferece para curar Joe de seu
lumbago. Benny impõe as mãos em Joe e ora, mas o lumbago permanece. Benny
despede Joe dizendo, “Esse é seu problema. Você não tem fé o bastante.” Como Marcos 6:5 mostra, Benny
está cheio de Bolonha. Qualquer um que confie em Deus já tem toda a fé de que necessita. Benny erra no que diz respeito à
verdade central dessa confiança não é nos dar carte blanche para ter tudo que queremos. O que conseguimos
permanece na boa graça do patrono.
2.
Um
cristão enfrenta muitas objeções à suas crenças que ele não pode responder. Ele
diz, “Eu não me importo com o as pessoas dizem, eu ainda tenho fé.” Nosso
cristão provavelmente tem “fé” , até mesmo na definição certa -- mas ela
precisa ser embasada em algo firme e não ser posta cegamente. Observaremos o 4º
exemplo logo, visto que o 3º requer
um tratamento mais detalhado.
3.
O
famoso cético Mark Twain disse, “Fé é acreditar no que você sabe que não
é.” Como nosso amigo Benny, Twain mergulhou um pouco
fundo demais em Oscar Meyer neste exemplo aqui. “Fé” é acreditar no que você sabe ser verdadeiro e confiável. Mais
uma vez, alguém pode contestar a validez da evidência, mas permanece dentro do
contexto que a verdadeira fé está bem longe de ser cega.
4.
O
filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard “afirma que as escrituras inclusas na
Bíblia comprovam que o sistema de crença cristão é baseado em um salto de fé,
não em provas tangíveis.” Isto porque o Cristianismo envolve paradoxos
ofensivos à razão. Precisamos dar uma olhada mais
apurada no que Kierkegaard (se nossa fonte budista representou-o corretamente,
embora pareça que não – veja aqui, em inglês)
considerou incorretamente como paradoxos, devido à sua falta de educação em
áreas relevantes. Primeiramente, nosso membro budista do fórum trouxe isto à
tona:
1.
A
idéia de que um Deus pudesse se transformar em um homem, mais especificamente
Jesus, é um paradoxo. “O dogma cristão, de acordo com Kierkegaard, incorpora
paradoxos que são ofensivos à razão. O paradoxo central é a afirmação de que o
Deus eterno, infinito e transcendental encarnou como um ser humano temporal e
finito (Jesus). Há duas atitudes possíveis que podemos adotar para essa
afirmação, a saber: podemos ter fé, ou nos ofendermos. O que não podemos fazer,
de acordo com Kierkegaard, é acreditar em virtude da razão. Se escolhemos a fé
devemos suspender nossa razão para acreditar em algo maior que a razão. Deveras
devemos acreditar em virtude do absurdo.
Se
esse era o entendimento de Kierkegaard da Trindade, ele é muitíssimo mal
informado. Pelo conceito de Sabedoria/Logos
(link em inglês) este “paradoxo” desaparece; o que era encarnado era uma
extensão hipostática temporal do Deus transcendental, não o Deus transcendental
Ele mesmo. Não há chamada nenhuma para suspender a razão; deveras, os filósofos
gregos mais “racionais” vieram com essencialmente as mesmas idéias, como as
outras grandes mentes no ANE (Ancient Near East, isto é, Antigo Oriente
Próximo) também o fizeram. O segundo ponto dele toma um pouco mais de tempo:
2.
A idéia de que Abraão
poderia ter sido mandado para matar seu próprio filho pelo mesmo Deus cujos
mandamentos incluem “não matarás” é um paradoxo. “Usando o exemplo da
disposição de Abraão para sacrificar Isaque (Gen. 22:1-19), Kierkegaard sugeriu
que Deus chamara Abraão para violar a lei moral, matando o seu filho. Para
Kierkegaard, a disposição de Abraão para “suspender” suas convicções éticas resume
o salto de fé que é exigido de todos. Kierkegaard acreditava que o incidente
provava que “um indivíduo (Abraão) é maior que o universal (lei moral).” Baseado
nessa conclusão, o filósofo dinamarquês oferece essa observação: “Abraão
representa fé... Ele age em virtude do absurdo, pois é precisamente (em virtude
do) absurdo de que ele como um indivíduo é maior que o universal.” “(Eu) não
posso entender Abraão”, Kierkegaard declarou, “mas de uma certa forma insensata
eu o admiro mais que os outros.”
Kierkegaard equivocou-se em dois aspectos. Primeiro, ele foi incompetente sobre o significado real de "Não matarás" (link em inglês) em hebraico (veja mais sobre a saída cognitivo-dissonante do nosso oponente budista sobre esse ponto; Glenn Miller também tem material relevante aqui e aqui [ambos em inglês]). A “fé” aqui é a lealdade de Abraão a Deus, e a expectativa, baseada na evidência de suas experiências anteriores com YHWH, de que Deus ou interromperia o processo ou faria Isaque voltar à vida. Entretanto, nosso oponente não tem nada para oferecer além de emoção como resposta:
A escolha da ação de Abraão
foi irracional. Por que ele ouviu Deus e começou a sacrificar seu próprio
filho? Como pai, posso lhe dizer que eu teria recusado, teria oferecido a mim mesmo
ao invés dele, e mesmo consideraria me matar do que ferir meu filho. De fato,
eu me atiraria sobre o próprio Deus se ele tentasse machucar meu filho.
É uma coisa bem sabida e
entendida de que nós não fazemos mal aos nossos filhos, não importa quem nos
mande outra coisa. Proteger nossos filhos é nosso dever sagrado. É
um dos temais morais centrais da humanidade. Fazer mal a uma criança, nosso
próprio filho, é o crime mais abominável da terra, e um pecado mortal aos olhos
de Deus, sob qualquer outra circunstância.
Então, diante de tudo isso,
por que Abraão fez o que ele fez? Só pode haver uma resposta. Ele deu um salto
de fé. Ele pôs sua fé em Deus acima de todas as coisas que conhecia: a
diferença entre certo e errado, o dever do pai de proteger seu filho, e mesmo
sua crença de que o Deus que ele conhecia não faria tal coisa.
Leitores vão querer observar as respostas de
Miller para essa linha de pensamento – entre elas: prioridade a Deus sobre o
homem, a primazia da lealdade e sacrifício pessoal na mente dos antigos (os
quais nós, em um egoísmo individualista como mostrado acima, perdemos); a
quantidade de tempo decorrido neste evento, dentro do qual certamente houve
troca entre Abraão e Isaque (que garante praticamente que o papel de Isaque
virou um de auto-sacrifício – ele era velho o bastante para saber e
entender o que estava acontecendo, como também poderia resistir se quisesse!).
Em suma, nosso oponente tem lido e visto o cenário inteiro de forma errada, o
que é o resultado natural de confiar em um filósofo (embora competente) ao
invés de um especialista na área, ou sem embasamento relevante. O oponente
continua:
Então que tipo de fé Abraão
demonstra quando ele escolhe obedecer a Deus e matar seu único filho, a
despeito do fato de que ele sabia que isso era moralmente errado? Há somente um
tipo de fé que se encaixa ao quadro: fé cega.
Isto é falso em muitas partes, pois temos
visto que aqui não há contradição moral: o mandamento citado não é relevante, e
Isaque claramente participou por vontade própria. A fé de Abraão não era cega,
mas baseada na evidência: percebam portanto as repetidas declarações de
confiança de Abraão: “Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o
holocausto.” “Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e,
havendo adorado, voltaremos para junto de vós.” O cenário real é como Miller nota:
A própria passagem do AT põe em foco a lealdade de Abraão a YHWH como
prioritária –cf. palavras de Jesus em Mat. 10:37: “Quem ama seu pai ou sua mãe
mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do
que mim, não é digno de mim.”Como
prática padrão diante de Deus, quando “desistimos” de coisas boas em nossas
vidas por Ele, quase sempre as obtemos de volta com bênçãos. O comentário
de Miller cai como uma luva em relação ao nosso entendimento do significado de
“fé”. Outro membro do fórum pôs também:
O termo “fé cega” freqüentemente é usado como um
insulto à inteligência de alguém que tenha algum tipo de fé. Eu lhe convido a
ler o relato de Abraão e descobrir se ele tinha alguma razão para cofiar na
palavra de Deus em virtude de Suas ações anteriores. Provavelmente a mais
divertida dessas ações foi o nascimento de Isaque para Sara, com 90 anos, que
riu, no ano anterior, da idéia. Este foi certamente um sinal do poder de Deus
para Abraão, com 100 anos.
Fé cega seria em confiar no seu cachorro para
salvar sua alma. Você não tem razão para acreditar nisso, nenhum registro
escrito, nenhum escrito de milhares de anos atrás, nenhuma vida mudada, nada.
Cristianismo dificilmente é cego.
Outro
disse:
Deus tinha prometido a ele um filho em sua velhice,
e Deus o entregou, em um tempo onde era impossível que velhos e suas esposas
tivessem bebês.
De fato, se você seguir a antropologia bíblica, não
há coisa como um grande salto de fé, porque o primeiro homem acordou do pó da
terra e se encontrava com seu criador diariamente no jardim do Éden. Isto
estabelece que Deus está envolvido com Sua criação do começo de modos
auto-revelatórios que não requisitam uma fé cega mesmo. Então Abe conhecia seu
Deus, e teve um relacionamento contínuo com ele por ANOS antes de Deus testá-lo.
Fé cega? Sem essa.
Kierkegaard teve seu contexto político/social, ao
qual estava reagindo. Eu suspeito de que ele estaria cantando em um tom
diferente se estivesse vivo hoje em NA.
Em resposta a esses
pontos, nosso oponente repetiu seus apelos emocionais, e adicionou algo sobre a
definição de “matar”.
Deixa eu entender isso direto, estão dizendo que a
credibilidade de Kierkegaard está estragada, porque ele definiu erroneamente a
palavra “matar”? Estão falando sério? Essa foi a cagada mais ridícula que vocês
já deram até agora. Uma criança de cinco anos pode definir “matar” com
precisão. Significa “tornar morto”. Algo antes estava vivo, agora não está, e
algo foi responsável.
E tentou pôr de lado a
evidência do nascimento tardio de Isaque com uma embromação tola:
Em relação a Abraão, sua história é dramática no
fato de que ele teve que esperar até os cem anos antes de ter um filho. Sua
crença em Deus já tinha sido posta a teste por ter sido feito esperar por tanto
tempo. O fato de Deus ter mudado de atitude demorado tanto a dar a Abraão seu
filho prometido, e então exigindo que seu filho fosse sacrificado serve para
adicionar mais drama à prova de fé a qual ele se submeteu.
Nenhuma palavra destas
nega o ponto que o nascimento tardio, entretanto, é uma parte da
evidência na qual Abraão baseou sua confiança. Este oponente estava utilizando
táticas de distração enfatizando o “drama” e ignorando o ponto do argumento. Em
suma, a fé de Abraão não era “cega” mesmo.
Concluindo:
Se você como cristão tem tido uma ou mais desses
pontos de vista em relação à fé, oferecemos isto em humildade como um
corretivo. Sua fé não tem que ser, e nunca foi pretendido que fosse, uma
confiança cega – não em Deus, e não como algo que você mantém mesmo quando se
opõe.
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Veja um cético SecWeb
ficar confuso com este artigo, e nossa resposta, aqui (em inglês).
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Aqui
vão algumas observações de um leitor que tem acompanhado esse artigo:
Recentemente, eu tenho lidado com alguns indivíduos
(ouso dizer hereges) num debate sobre salvação. Essencialmente, eles declaram a
variante “perda-de-recompensas” da segurança eterna (se perguntar a eles o que
essa recompensa é, eles vão gaguejar). De qualquer jeito, um dos grandes pontos
do debate foi a definição de fé. Eles continuam a insistir que ela é o ato
“uma-vez” de crença mental. Eu mostrei a eles o décimo primeiro capítulo de
Hebreus. Então mostrei os dois versos antes dele com maravilhoso paralelismo
antitético, e os dois versos depois dele com a exortação de perseverar (eu não
acho que faça uma distinção real entre segurança eterna e perseverança dos
santos no seu artigo, e sim, lidar com antinomianos tem-me feito sensitivo a
isto. Ah bem). De qualquer modo, o fato de “pistis” ser a mesma palavra para fé
e fidelidade não os convenceu. Então eu estava só folheando e vi estas
definições na Young´s Literal Concordance:
Acreditar:
1.
Aman, permanecer firme.
2.
Peithomai, ser
persuadido.
3.
Pisteuo, aderir a,
confiar, contar com.
4.
Pisteuo eis, permanecer
firme para (a).
5.
Pisteuo em, permanecer
firme em.
6.
Pisteuo epi, permanecer
firme sobre.
Fé
1.
Emun, fidelidade,
firmeza.
2.
Emunah, fidelidade,
estabilidade.
3.
Elpis, esperança.
4.
Pistis, fé, fidelidade,
firmeza.
“Acreditar” é reconhecido não simplesmente pelo culturalmente
atento, mas também pelo lingüisticamente atento ao significado “permanecer
firme.” Se significasse crença mental, então por que não usar peithomai? (De
forma interessante o bastante, a voz ativa, peitho, refere-se à idéia de
garantia/confiança/persuasão. Parece que eles não gostam da idéia de qualquer
crença que não seja provada...) Aquelas traduções sorrateiras! Oh, espere.
American Heritage Dictionary:
Fé: n. 3. Lealdade a uma pessoa ou coisa; submissão.
Em qualquer caso, a maior parte das pessoas não
pode lidar com a idéia de lealdade baseada no conhecimento mais do que podem
lidar com o amor como um ajuntamento centrado no grupo. 2 Cor. 5:7 diz para
andarmos na fé, mas por esta definição a fé não é cegueira – “vista” aqui
refere-se a sermos distraídos pelas realidades visíveis ao invés de pormos o em
Cristo.
Eu
também percebi que Tiago toda faz o mesmo sentido. “Lealdade sem obras” soa
melhor que “crença sem obras”, ou “confiança sem obras.” Fé é fidelidade. O
exemplo que sempre uso é do marido que tem fé na sua esposa: isso não significa
que ele acredite que ela exista e que eles se casaram em alguma ocasião. Então,
novamente, alguns “cristãos” nem acham que arrependimento é necessário para a
salvação (nessa semana eu tive que lidar com uns que nem consideravam descrença
como pecado).
Adendo:
O que é perdão? Ainda que seja surpresa o bastante saber que
o significado de “fé”, no primeiro século, não é bem o qual temos sido
ensinados (!), há outra surpresa: a palavra “perdão” também não. Como “fé”,
esta palavra freqüentemente é associada à idéia de junção emocional e liberação
de culpa. Mas essa é nossa idéia moderna – os antigos tinham idéias
completamente diferentes.
Malina e Rohrbaugh observam em Social-Science
Commentary on the Synoptic Gospels (303-4) que dentro do contexto do mundo
antigo, a “perspectiva introspectiva orientada na culpa das sociedades
industrializadas não existia...” “Culpa”, portanto, referia-se não a sentimentos
pessoais, mas ao compromisso e à responsabilidade por uma ofensa (ninguém vai
encontrar na Bíblia alguém dizendo “Eu me sinto culpado!”). “Perdão”
significa, por sua vez, “ser divinamente restaurado à sua posição” e ser
“libertado do medo da perda nas mãos de Deus.” Perdão era a restauração à
posição anterior – não uma emoção.
Artigo relacionado aqui, em inglês.
Discuta esse artigo aqui, também em inglês.
Traduzido e adaptado por Caetano Grego.